Chapada do Araripe
A Chapada do Araripe é uma das principais formações naturais do Nordeste brasileiro, estendendo-se pelos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí e ocupando posição central na paisagem e na identidade da região do Cariri. Sua extensa cobertura vegetal, diversidade de ambientes e riqueza de nascentes conferem à Chapada grande importância ecológica, especialmente na proteção da biodiversidade e na manutenção dos recursos hídricos. Suas características geológicas e paleontológicas revelam parte importante da história da Terra, com registros que remontam a milhões de anos.

Mais do que um patrimônio natural, a Chapada do Araripe possui forte valor histórico, cultural, científico e turístico, reunindo unidades de conservação (UC), sítios paleontológicos e locais de grande significado para as comunidades da região. A presença de UC, como a Floresta Nacional do Araripe-Apodi, e dos geossítios do Geopark Araripe, reforçam seu papel na conservação e na valorização do patrimônio natural. Nesse contexto, a proteção da Chapada é fundamental não apenas para preservar sua biodiversidade e seus recursos hídricos, mas também para garantir a continuidade dos serviços ambientais e dos valores culturais que sustentam a vida e as atividades das populações do Cariri.
A região também abriga espécies de grande importância para a conservação, como o soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), ave endêmica e ameaçada de extinção, cuja sobrevivência está diretamente relacionada à preservação das nascentes e da vegetação associada às áreas úmidas da encosta da Chapada.
FLONA ARARIPE

A Floresta Nacional do Araripe-Apodi (FLONA Araripe), criada em 1946 como a primeira Floresta Nacional do Brasil, é um importante marco da conservação ambiental no país. Localizada na Chapada do Araripe, a unidade protege uma rica diversidade de fauna e flora, incluindo espécies ameaçadas de extinção, importantes nascentes, áreas de recarga hídrica, além de contribuir para a pesquisa científica, a educação ambiental, o turismo e o uso sustentável dos recursos naturais.
As trilhas da FLONA Araripe são importantes espaços de contato com a natureza e de valorização da paisagem da Chapada do Araripe, permitindo aos visitantes conhecer diferentes ambientes da floresta e observar a diversidade de sua vegetação, além de contemplar o Vale do Cariri a partir de seus mirantes. Entre os principais percursos destaca-se a Trilha do Belmonte, que reúne diferentes pontos de observação, como os mirantes do Belmonte, Saco, Serrano e Pedra Branca. O percurso também possui a Trilha Inclusiva Mestre Galdino, com recursos de acessibilidade. Outro destaque é o percurso que contempla o Mirante do Ninho e o Mirante Pedra do Rosto, com aproximadamente 3 km e nível leve.


A FLONA Araripe também se destaca por uma extensa rede de trilhas utilizada para a prática de mountain bike, destacando-se por um singletrack com mais de 50 km de extensão. Os percursos apresentam diferentes características de relevo e terreno, com trechos planos, subidas, descidas e caminhos sinuosos, proporcionando desafios variados aos ciclistas. Essa estrutura consolidou a FLONA como um importante espaço para o ciclismo de montanha, o lazer e o cicloturismo, com o contato com a natureza e valorização da paisagem da Chapada.
GEOPARK ARARIPE
Parte da região do Cariri cearense é território do Geopark Araripe, o primeiro geoparque do Brasil reconhecido pela UNESCO, que reúne 11 geossítios de relevância científica, ambiental, histórica e cultural. Os geossítios apresentam características singulares, como formações rochosas, fósseis, fontes naturais e paisagens de grande valor científico e educativo. Entre eles estão o Pontal da Santa Cruz, a Colina do Horto, o Riacho do Meio, a Pedra Cariri, a Ponte de Pedra e o Arajara, que, em conjunto, ajudam a compreender a evolução da Bacia do Araripe e reforçam a importância da conservação de seu patrimônio natural. Conheça o Geopark Araripe!


Geossítio Colina do Horto (Horto do Pe. Cícero)
O Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte/CE, é um importante espaço de referência religiosa, cultural e turística do Cariri. Associado à memória do Padre Cícero, o local recebe milhares de visitantes e integra o território do Geopark Araripe, reconhecido pela UNESCO como Geoparque Mundial, destacando-se também pela importância na valorização do patrimônio natural, geológico e cultural da região.
O Geossítio Colina do Horto apresenta as rochas mais antigas do Cariri cearense, formadas há cerca de 650 milhões de anos. De origem granítica, essas rochas constituem o substrato da Bacia do Araripe e, após milhões de anos de processos tectônicos e erosivos, ficaram expostas na superfície, formando os grandes blocos de granito observados no Santo Sepulcro.
Geossítio Pontal da Santa Cruz
O Geossítio Pontal da Santa Cruz, em Santana do Cariri/CE é constituído por arenitos da Formação Exu, que formam a porção superior e mais resistente da escarpa da Chapada do Araripe.
Com aproximadamente 90 milhões de anos, esses arenitos representam as rochas mais jovens da Bacia Sedimentar do Araripe. Devido à sua elevada permeabilidade, a Formação Exu absorve e armazena parte da água das chuvas, funcionando como uma espécie de "esponja natural" e contribuindo para a recarga das águas subterrâneas e para o surgimento de nascentes no sopé da Chapada.


Geossítio Ponte de Pedra
O Geossítio Ponte de Pedra corresponde a uma geoforma esculpida no arenito, resultado da erosão provocada pela água ao longo dos últimos milhões de anos. Como diz o ditado popular "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".
Localmente, ocorreu um contínuo processo de erosão que atuou de forma distinta nos diferentes níveis do arenito (grossos e finos), sendo que os níveis mais resistentes à erosão ficaram preservados formando a ponte de pedra. Este arenito pertence à Formação Exu e foi formado há, aproximadamente, 96 milhões de anos (Período Cretáceo).
Geossítio Pedra Cariri
O Geossítio Pedra Cariri, em Nova Olinda/CE, apresenta elevado valor científico, devido à ocorrência de fósseis diversos e abundantes, como insetos, pterossauros, peixes e vegetais. Os fósseis desta região são conhecidos em todo o mundo dada a excepcional qualidade de preservação.
Esses fósseis ocorrem na "Pedra Cariri", um calcário disposto em finas camadas de sedimentos pertencentes ao membro Crato (Formação Santana), depositados há aproximadamente 112 milhões de anos (Período Cretáceo), quando neste local existia um lago de águas calmas, com brejos nas suas margens, onde uma biodiversidade abundante se desenvolvia.


Ótimo local para observar o soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni)
Geossítio Riacho do Meio
O Geossítio Riacho do Meio, em Barbalha/CE, integra uma área de vegetação densa e úmida, onde existem fontes naturais de água, conferindo ao local uma relevante importância hidrológica. Estas fontes surgem no contato de dois tipos de rochas: os arenitos permeáveis (Formação Exu), do topo da chapada, e os arenitos impermeáveis da (Formação Arajara).
As rochas sedimentares da Formação Arajara (arenitos) sugerem uma deposição em planície aluvial. Por este motivo, estes arenitos apresentam grande quantidade de sedimentos finos (argilas) que se depositam somente em águas calmas (áreas de inundação) e que originam as rochas impermeáveis da Formação Arajara.
Geossítio Arajara
O Geossítio Arajara está situado sobre as formações Exu e Araripina, últimas camadas deposicionais da Bacia do Araripe. Sua relevância está nos paredões rochosos da formação Exu, de até 936 metros de altitude, apresentando camadas cruzadas e arenito avermelhado. Além da biodiversidade local, caracterizada por apresentar distintos ecossistemas e ter a presença de espécies endêmicas, como o pássaro soldadinho-do-araripe e o caranguejo de água doce Guajá do Araripe.

Museu de Paleontologia


O Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (URCA), foi fundado em 1985, em Santana do Cariri/CE, e tornou-se um importante centro de pesquisa e divulgação da paleontologia no Cariri. Seu acervo reúne fósseis de plantas, peixes, insetos, répteis, pterossauros e dinossauros da Bacia do Araripe.
Além de preservar esse importante patrimônio científico, o museu desenvolve pesquisas e escavações paleontológicas, contribuindo para a proteção dos fósseis e para o combate à exploração clandestina e ao tráfico desse patrimônio. O espaço também possui importante função educativa e turística, recebendo visitantes de diferentes regiões.
Para mais informações sobre os Geossítios acesse o site do Geopark Araripe

A Cascata do Crato, localizada no bairro Lameiro, Crato/CE, é uma das paisagens naturais mais conhecidas do município e um importante símbolo da relação da população com a serra. Formada pelas águas do rio Batateira, a queda-d'água está associada às nascentes que afloram no sopé da Chapada e constitui um espaço de lazer, contemplação e contato com a natureza, além de integrar a paisagem e o patrimônio ambiental do Cariri.
ESTÁTUA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
A Estátua de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Barro Branco, em Crato/CE, é um dos principais símbolos do turismo religioso do Cariri. O monumento, inaugurado em 2025, possui 54 metros de altura e está integrado ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, tornando-se um importante espaço de peregrinação, devoção e visitação. A história da devoção no local remonta a 1953, quando a Imagem Peregrina Mundial de Nossa Senhora de Fátima visitou o Crato, fortalecendo uma tradição religiosa que permanece como parte importante da identidade cultural da região.
TELEFÉRICO DO CALDAS
O Teleférico do Caldas, localizado no município de Barbalha, está instalado no interior da Floresta Nacional do Araripe-Apodi (FLONA Araripe-Apodi), estabelecendo a ligação entre a localidade do Caldas e a área da FLONA. O equipamento constitui importante infraestrutura turística, ampliando o acesso e a visitação à unidade de conservação e contribuindo para a valorização dos atrativos naturais da Chapada do Araripe.
TELEFÉRICO DO HORTO DO PADRE CÍCERO
O Teleférico do Horto do Padre Cícero, inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) do Horto, é um importante equipamento turístico de Juazeiro do Norte, contribuindo para o acesso à Colina do Horto e para o fortalecimento do turismo religioso, devendo sua operação ser compatível com os objetivos de conservação ambiental da APA.


